sábado, 1 de outubro de 2016

Fernando Vaz


O Senhor Treinador

O Caldas Sport Clube teve o privilégio de ter contado na época de 1955/56 com Fernando Vaz no comando técnico da sua equipa de futebol, que conseguiu o grande objectivo do clube: a manutenção na I Divisão.
Penso que não estou a exagerar, se dizer que este foi o melhor treinador que passou pelo Caldas Sport Clube ao longo de toda a sua história.
Quando chegou às Caldas Fernando Vaz já tinha treinado o Sporting (adjunto de Cândido de Oliveira e técnico principal), o Belenenses, o Sp. Braga, o V. Guimarães e o F. C. Porto. Embora jovem, contava com 37 anos, já tinha ganho bastante experiência com a passagem por alguns dos nossos melhores clubes.
Antes de ter sido convidado para adjunto do seu grande amigo e mentor, Cândido de Oliveira, fora jornalista no jornal desportivo, "A Bola" (novamente pela mão do Mestre Cândido...), onde era chefe de redacção, quando decidiu ser treinador a tempo inteiro.
Este Casapiano esteve em actividade mais de trinta anos, sendo o treinador que tem mais jogos disputados na I Divisão (626), conquistando ainda um campeonato pelo Sporting na época de 1969/70 e três Taças de Portugal (uma pelo Sporting e duas pelo Vitória de Setúbal), além de outras excelentes classificações e várias subidas de divisão em clubes mais modestos.
Treinou os seguintes clubes: Sporting, Belenenses, V. Setúbal, Sp. Braga, F. C. Porto, V. Guimarães, Caldas, CUF, Académica, Atlético, Beira-Mar e Marítimo (onde se despediu dos estádios como técnico na época 1978/79).
Passou mais que uma vez pelo mesmo clube. Só no Vitória de Setúbal permaneceu dez épocas e no Sporting - o seu clube de coração - nove, cinco como técnico principal e quatro como adjunto.
Fernando Vaz abandonou a carreira de treinador mas não os estádios, pois voltou ao jornalismo na "A Bola", que exerceu até se despedir de todos nós, a 25 de Agosto de 1986. 
Além de ter este currículo extraordinário, foi um treinador que deixou muitas saudades na nossa Cidade. Foi várias vezes convidado para regressar, mas não voltou a treinar o Caldas Sport Clube  ao longo da sua memorável carreira...

sábado, 26 de outubro de 2013

Bacari Djaló

Jogador guineense de 30 anos já passou por 15 clubes

Sabe o que é um globetrotter?
É uma pessoa que viaja frequentemente e por sítios diferentes, quer seja em férias ou em trabalho. Bacari Djaló, avançado do Caldas Sport Clube, é o verdadeiro globetrotter do futebol nacional: passou por 15 clubes diferentes desde que chegou a Portugal e, curiosamente, nunca repetiu um clube duas temporadas consecutivas.
Vivia-se o ano de 2000 quando Bacari Djaló chegou a Portugal. Com 18 anos, saiu da Guiné-Bissau com o pai, devido à situação política complicada que o país vivia. Inicialmente com o objectivo de estudar na cidade do Porto, foi numa visita a Lisboa que o jovem jogador começou a carreira.
Um dia fui visitar Lisboa com a minha família e amigos. Fomos ver o treino dos juvenis do Sporting. Havia uma pessoa no clube que conhecia o meu pai e sabia que eu jogava futebol. Perguntaram-me se queria treinar com a equipa, após um treino de experiência, Bacari começou a treinar com a equipa dos juvenis e participou em alguns torneios com a camisola do Sporting. O facto de ser estrangeiro, impossibilitou que o guineense ficasse no clube, mas o futebolista garante que foi uma experiência muito boa.
Entretanto, surgiu uma proposta para jogar no Beneditense. Como era muito novo e era uma equipa da terceira divisão, achei que era bom para mim e decidi assinar contrato, explica.
Começava aqui a viagem por clubes e uma carreira com a casa às costas. No clube do concelho de Alcobaça, Bacari fez apenas dois jogos. Após uma passagem pelo Bidoeirense, que actua na quarta divisão, o jogador guineense chegou ao Sporting Pombal onde começou a dar cartas e a marcar golos.
No clube da terceira divisão, Bacari marcou seis golos em 38 partidas, mas no final da temporada transferiu-se novamente, para o Felgueiras, que viu no jovem Bacari uma promessa para o futuro.
Foi no Felgueiras que passei a história mais insólita da minha carreira, que envolve a empregada do hotel onde estávamos e um convite para um café na casa dela. No final, vim a descobrir que ela tinha namorado.
Os cinco golos marcados no Felgueiras não foram suficientes e, mais uma vez, Bacari mudou de clube, para o Famalicão, na altura a jogar na extinta terceira divisão. Em 26 jogos, o avançado marcou por 10 vezes.
Em 2006/07, Bacari chega pela primeira vez a um clube da segunda divisão, o Vitória de Guimarães, onde marcou apenas um golo, que bastou para ser chamado para a Seleção da Guiné-Bissau.
Guimarães foi das cidades onde joguei que mais me marcou, mas também gostei muito de jogar em Famalicão, porque foi o clube em que marquei mais golos.
Uma nova época começou em Setembro de 2007 e Bacari repetia a experiência de mudar novamente de clube. Se até esta altura, em seis temporadas, o jogador africano passou por seis clubes, entre 2007 e 2009, conseguiu o feito de jogar no Vila Meã, no Penafiel e no Ribeirão.

Porquê tantas mudanças?

Realmente é a questão que se coloca... sempre desejei ir mais longe e chegar a clubes com mais ambição, as propostas surgem e eu aceito.
É fácil adaptar-me a clubes novos todas as temporadas porque o país é o mesmo e fala-se a mesma língua. Mas também tive a sorte de ser sempre muito bem recebido em todos os clubes por onde passei, principalmente pelos colegas de equipa.

No início da temporada 2009/10, Bacari Djaló assina pelo Carregado, mas a meio da temporada, com dez jogos feitos e sem golos marcados, o avançado regressa a Famalicão. Novamente, é um dos melhores marcadores. Parece ser a cidade talismã de Bacari.
Sempre a mudar de cidade e a somar clubes ao seu currículo, o jogador guineense, na altura com 27 anos, assina pelo Bragança. Passou ainda pelo Viseu, Pinhalnovense, Juventude de Évora e, no início da actual temporada, com 30 anos, transferiu-se para o Caldas, que joga no recém-formado Campeonato Nacional de Seniores.

Tenho noção de que já passei por muitos clubes, mas, sinceramente, acho que isso até é bom. As pessoas reconhecem o meu valor e humildade e consegui fazer muitas amizades em todos os clubes por onde passei.

Seis jogos no Caldas e zero golos marcados é o saldo actual de Bacari, que mantém o sonho de chegar ao principal campeonato de futebol em Portugal, mas também de regressar à Guiné, projecto que adia para um dia mais tarde.
Em Portugal, o percurso de Bacari é caso raro. Em todas as temporadas, um novo clube. No entanto, o internacional guineense garante que a vida de jogador é mesmo assim. Resta saber se no final da temporada, Bacari Djaló irá continuar com a casa às costas ou se vai quebrar o seu próprio recorde.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Cadernetas e Cromos

Caderneta de cromos do Caldas Sport Clube, época de 1955/56
AGÊNCIA PORTUGUESA DE REVISTAS

Caldas Sport Clube

O Caldas Sport Clube, treinado por José Szabo, é um caso especial do nosso desporto.
Raríssimos são os clubes que conseguem subir tão depressa. De sub-campeão da 3.ª Divisão há pouco tempo, encontra-se agora na 1.ª Divisão e sem pertencer aos últimos.
Acusou naturalmente muitas dificuldades neste ano de estreia, sobretudo nos jogos fora de casa, mas globalmente não poderá dar-se por insatisfeito.
Estreou-se com uma derrota, Jogo fora com o V. Setúbal (3-0). No segundo domingo, nas Caldas venceu o Atlético (1-0). Só voltaram a ganhar na 6.ª jornada. Até lá perdeu em Braga (4-1), em «casa» com o Benfica (1-0), empatou no Barreiro, com o Barreirense (1-1) e a seguir ganhou então ao Sp. Covilhã (2-0) e ao Lusitano de Évora (3-1).
Depois alternou. Derrota com o Sporting (2-0), vitória com a Académica (2-1), derrota com o F. C. Porto (5-0). E concluiu mal a 1.ª volta, com derrota em «casa» com o Belenenses (2-0) e empates na Cuf (1-1) e nas Caldas com o seu velho rival de Torres Vedras, o Torreense (2-2).
A tabela da 1.ª volta acusava o 8.º lugar, com 4 vitórias, 3 empates e 6 derrotas, (13-23) golos e 11 pontos.
Decaiu na 2.ª volta, pois tendo ganho o primeiro jogo (14.ª jornada, com o V. Setúbal (3-1), só voltou a ganhar na penúltima, contra a Cuf, em «casa» (3-0).
Nesta série de dez jogos sem ganhar, conseguiu, no entanto dois pares de empates. Os primeiros foram no 15.º e 16.º domingos, respectivamente na Tapadinha, contra o Atlético (1-1), em «casa» com o Sp. Braga (0-0) e mais tarde nas 22.ª e 23.ª jornadas, em Coimbra, com a Académica (2-2) e em «casa» com F. C. do Porto (3-3), resultados estes, meritórios, que lhe permitiu fugir à despromoção.
18 JOGADORES UTILIZADOS
António Pedro (26 jogos), Rita (25), Bispo (24), Romero (24), Amaro (23), Fragateiro (23), Lénine (22), Martinho (19), Leandro (17), Romeu (16), Piteira (15), Orlando (13), Anacleto (12), Amorim (12), Vila Verde (7), Marti (5), Oliveira (1) e Victor (1).

Cromos gentilmente cedidos pelo coleccionador Hugo Silva (hugo.a.r.silva@gmail.com)

Caderneta de cromos do Caldas Sport Clube, época de 1956/57

Caldas Sport Clube

O Caldas Sport Clube, na época de 1956/57, treinado por Fernando Vaz, disputou o Campeonato Nacional da 1.ª Divisão, obtendo 6 vitórias, 7 empates e 13 derrotas, com (32-63) golos, classificando-se em 12.º lugar, com 19 pontos, em 26 jogos.
A tabela da 1.ª volta acusava o 12.º lugar, com 2 vitórias, 5 empates e 6 derrotas, (11-23) golos e 9 pontos.
Mas na 2.ª volta o Caldas conseguiu fazer um pouco melhor, conseguindo 4 vitórias, 2 empates e 7 derrotas, (21-40) golos e 10 pontos.
Ressalva: O cromo n.º 106, não é o Oliveira, mas sim o Piteira (Pé-de-Léke).

Cromos gentilmente cedidos pelo coleccionador Hugo Silva (hugo.a.r.silva@gmail.com)

Caderneta de cromos do Caldas Sport Clube, época de 1957/58

Caldas Sport Clube

O Caldas Sport Clube, na época de 1957/58, treinado por Janos Hortko, disputou o Campeonato Nacional da 1.ª Divisão, obtendo 9 vitórias, 5 empates e 12 derrotas, com (30-46) golos, classificando-se em 10.º lugar com 23 pontos em 26 jogos.
A tabela da 1.ª volta acusava o 11.º lugar, com 4 vitórias, 2 empates e 7 derrotas, (15-26) golos e 10 pontos.
Mas na 2.ª volta o Caldas conseguiu fazer muito  melhor, vencendo o Benfica em «casa» por 3-2 e o Belenenses por 1-0, conseguindo 5 vitórias, 3 empates e 5 derrotas, (15-20) golos e 13 pontos.

Cromos gentilmente cedidos pelo coleccionador Hugo Silva (hugo.a.r.silva@gmail.com)

Caderneta de cromos do Caldas Sport Clube, época de 1958/59

Caldas Sport Clube

O Caldas Sport Clube, na época de 1957/58, treinado por Josef Fabian, disputou o Campeonato Nacional da 1.ª Divisão, obtendo 5 vitórias, 6 empates e 15 derrotas, com (33-76) golos, classificando-se em 13.º lugar com 16 pontos em 26 jogos. Descendo assim à 2.ª Divisão Nacional.
A tabela da 1.ª volta acusava o 12.º lugar, com 2 vitórias, 3 empates e 8 derrotas, (17-33) golos e 7 pontos.
Mas na 2.ª volta o Caldas não conseguiu fazer melhor, conseguindo 3 vitórias, 3 empates e 7 derrotas, (16-43) golos e 10 pontos.
Apesar de ter mais uma vitória e menos uma derrota que na 1.ª volta, não evitou assim a descida à 2.ª Divisão Nacional.

Cromos gentilmente cedidos pelo coleccionador Hugo Silva (hugo.a.r.silva@gmail.com)

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Caldas Sport Clube

Caldas Sport Clube
De pé: Henrique Prata, José Casimira, Júlio Matias, José Constantino e António Paulo.
Ao centro: Florindo Serrador, Luciano Lourenço e José Marques.
Em baixo: Henrique Mineiro, Serafim Moreira, João Roque, Eurico Botas e João Elias.
A primeira equipa do Caldas Sport Clube em 1915

Caldas Sport Clube: época 1924/25
De pé: Luís 14, João Elias, Albano Figueiredo, Albertino e Cândido.
Ao centro: Joaquim Alberto,Madail, Borracha e Rafael.
Em baixo: Pedro Sampaio, Avelino Tanoeiro e João Pintor.
A equipa que conquistou a primeira taça para o Clube

Caldas Sport Clube: época 1930/31
João Pinto, Rafael, Descarga, Quintino, Luís 14, Silva, Joaquim Alberto, 
Saramenha, Guilherme, Albertino e Albano Figueiredo.

Caldas Sport Clube: época 1932/33
Campeão Distrital de Leiria (Reservas)
Constantino, Chaves, Descarga, Penadinho, Filipe Abrantes, Sainhas, 
Mateus, José Caetano, Manuel Duarte, Alexandrino e Jaime Ramos.

Caldas Sport Clube: época 1942/43
Em cima: Mário Branco, António Júlio, João Martins, Feliz, Té Garcia, Cabaço e Marcelino.
Em baixo: Fernando (Carro de Assalto), Diamantino, Rabão, Pavão, João Alcobaça e Bernardo.

Caldas Sport Clube: época 1944/45
De pé: Raúl Rogério, Fernando Barbosa e João Alcobaça.
Ao centro: José Branco, Luís Branco e Diniz.
Em baixo: Valadas, Jorge Alcobaça, Armando Miguel, Barreiro, Pança e Pancada.

Caldas Sport Clube: 1949/50
Em cima: Soeiro (massagista), Martins, Chico Ladeira, Louro, J. Alcobaça, 
Vidal, Luís Branco e José João (treinador).
Em baixo: José Branco, Esteves, João Alcobaça, António Aniceto e Joaquim Ferreira.

Caldas Sport Clube: época 1953/54
Em cima: Louro, Iderlindo, Dr. Wilson, Fragateiro, Sarrazola, Aleixo, 
Victor e José João (treinador).
Em baixo: Marti, António Pedro, Bispo, Barnabé e Ben-Barék.


 Caldas Sport Clube: época 1953/54
Em cima: Louro, Iderlindo, Barnabé, Dr. Wilson, Sarrazola, Fragateiro, 
Victor e José João (treinador).
Em baixo: Marti, António Pedro, Bispo, Ben-Barék, Anacleto.


Caldas Sport Clube: época 1954/55
Em cima: Victor, Romero, Leandro, Dr. Wilson, Fragateiro, Louro e Amaro.
Em baixo: César, Calicchio, Marti, António Pedro e Anacleto.
A equipa que subiu à 1.ª Divisão Nacional em 1955

Caldas Sport Clube: época 1955/56
Em cima: Rita, Piteira (Pé-de-Léke), Romeu, Leandro, Amaro e Fragateiro.
Em baixo: Ben-Barék, Romero, Marti, António Pedro e Lénine.

Caldas Sport Clube: época 1955/56
Em cima: Rita, Amaro, António Pedro, Romero, Leandro, Fragateiro e Victor.
Em baixo: Marti, Romeu, Bispo, Martinho e Lénine.

Caldas Sport Clube: época 1956/57
Em cima: Rita, Amaro, António Pedro, Abel, Fragateiro e Saraiva.
Em baixo: Romeu, Ben-Barék, Janita, Garófalo e Anacleto.

Caldas Sport Clube: época 1956/57
Em cima: Rita, Rogério, Romero, Fragateiro, Saraiva e Abel.
Em baixo: Romeu, António Pedro, Janita, Garófalo e Sarrazola.

Caldas Sport Clube: época 1957/58
Em cima: Victor, Fragateiro, Amaro, António Pedro, Saraiva e Ben-Barék.
Em baixo: Anacleto, Garnacho, Janita, Romeu e Rogério.
A primeira equipa a vencer no Estádio do Restelo o Belenenses. 
(1-0 golo de António Pedro de grande penalidade) 

Caldas Sport Clube: época 1957/58
Em cima: Jorge (massagista), Saraiva, Amaro, Dantas, António Pedro e Victor.
Em baixo: João Resende, Romeu, Janita, Calicchio, Lénine e Fragateiro.

Caldas Sport Clube: época 1957/58
Em cima: Amaro, Rita, Fragateiro, António Pedro, Ben-Barék, e Saraiva.
Em baixo: Garnacho, Anacleto, Rogério, Romeu e Sarrazola.

Caldas Sport Clube: época 1957/58
Em cima: Victor, Fragateiro, Amaro, António Poedro Saraiva, Ben-Barék.
Em baixo: Anacleto, Garnacho, Janita, Romeu e Rogério.


Caldas Sport Clube: época 1958/59
Em cima: Victor, Anacleto, Saraiva, Dantas, Ben-Barék, Amaro e Aurélio.
Em baixo: João Resende, Romeu, Mateus, António Pedro e Rogério.

Caldas Sport Clube: época 1959/60
Em cima: Aurélio, Djalma, João Resende, Vasco, António Pedro, Gonzalez e Victor.
Em baixo: Romeu, Cardoso, Janita, Bambo e Pitollo.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Sarrazola

Sarrazola, natural de Aveiro, começou a sua carreira futebolista nos escalões jovens do Beira-Mar, tendo sido depois promovido ao plantel sénior, onde actuou durante algumas épocas, transferindo-se depois para o Sporting da Covilhã na temporada 1955/1956.

Antes de jogar no União de Montemor, Caldas Sport Clube e Leões de Santarém, na única época em que representou os serranos, Sarrazola contribuiu para a melhor classificação de sempre do Sporting da Covilhã na 1.ª Divisão Nacional, visto que os covilhanenses conseguiram finalizar o campeonato no 5.º lugar, sómente atrás do Porto, Benfica, Belenenses e Sporting. 

Sarrazola era um jogador muito habilidoso, actuando preferencialmente a extremo esquerdo, tendo efectuado 14 jogos pelos serranos no escalão principal do futebol português e assinando 8 golos, antes de regressar ao Caldas Sport Clube e ao Beira-Mar para conclusão da actividade de futebolista.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Martinho

António Martinho Coutinho nasceu na Covilhã a 3 de Dezembro de 1923, começou nos juniores do Sporting da Covilhã em 1939/40 e manteve-se neste clube até 1944/45. 

Actuou a seguir, durante três épocas no Belenenses, voltando ao Sporting da Covilhã durante a temporada de 1948/49, que foi a temporada de estreia do clube na 1.ª Divisão, onde actuou em 23 jogos e assinou seis golos, tendo ainda participado numa boa campanha na Taça de Portugal, visto que os serranos apenas foram eliminados pelo Atlético nas Meias-Finais, depois de terem eliminado o Desportivo de Beja, CUF e Sporting de Braga.

O covilhanense Martinho Coutinho jogava essencialmente no sector intermediário, mas aparecendo com frequência em zona de finalização, assumindo protagonismo nos antigos campeonatos nacionais da 2.ª Divisão, que eram disputados em moldes bem diferentes dos actuais, começando por uma fase regional, onde os serranos assumiam quase sempre um papel de destaque.

Nas épocas de 1950/51 e 1951/52 representou o Lusitano de Évora e de 1952/53 e 1954/55,  actuou no Torreense, aos quais ajudou a ascender à 1.ª Divisão Nacional, todavia, veio a jogar entre os grandes com a camisola do Caldas Sport Clube, para onde se transferiu em 1955/56. 

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Josef Fabian


 Nasceu a 8/10/1925 em Cluj-Napoca, cidade da Transilvânia que pertenceu ao Império 
Austro-Húngaro, dissolvido após a I Grande Guerra.

Quando Fabian nasceu a cidade pertencia à Roménia há menos de uma década (com o nome Iosif Fabian II chega a jogar pela selecção romena, conduzida pelo técnico Virgil Economu, nos anos quarenta, em três JOGOS), apesar de ainda ter forte presença magiar.
Jogou em clubes húngaros antes de regressar a um clube da sua cidade, o Ferar Cluj, clube com quem o C.F.R. Cluj (hoje em dia um dos maiores clubes romenos) se fundiu após o final da 2.ª Grande Guerra, tendo em vista disputar o escalão principal da Roménia. 
O C.F.R. Cluj, depois de ter sido várias vezes campeão regional da Transilvânia e de ter jogado no terceiro escalão romeno, participou no segundo e primeiro escalão húngara (como Kolozsvári AC) entre 1940 e 1944 (ou seja até ao final da 2.ª Grande Guerra, pois durante a ocupação nazi, os alemães "devolveram" a parte norte da Transilvânia à Hungria).
Transfere-se para o "Grande Toro" (a poderosa formação italiana orientada então pelo húngaro Ernest Erbstein, que ficou tragicamente famosa também pelo desaste de Superga) onde vence o scudetto, faz 15 jogos e marca 9 golos, sendo o único estrangeiro da equipa. Apesar de ter sido internacional romeno nessa altura, chega a Itália como apátrida (quando chegou ao nosso país já tinha a nacionalidade húngara). 
É depois cedido à Luchese e joga noutros clubes italianos e franceses, e quando se aprestava para jogar também em Espanha, no Atlético Madrid, isso acaba por não se concretizar, chegando a Portugal para jogar no Sporting, já com nacionalidade húngara, mas adquiriria também, mais tarde, a cidadania portuguesa. Depois de iniciar a carreira de jogador-treinador no Barreiro, orientou mais tarde o nosso clube durante a quase totalidade da temporada 1964/65, sendo substituído na parte final por José Mendes. 
Curiosamente, cerca de duas décadas depois, o último clube que treinou foi o nosso vizinho Imortal de Albufeira, no Distrital.

ENTREVISTA AO RECORD
(publicado a 8 de Junho de 1999)

Desastre de Superga: Fabian conta como escapou à morte!

SOBREVIVENTE DA EQUIPA DO TORINO SALVOU-SE POR NÃO TER PASSAPORTE "HOJE, mesmo tendo passado já cinquenta anos sobre aquela fatídica data, ainda recordo com um misto de grande amargura e de uma profunda saudade todos os meus antigos colegas de equipa do Torino, até hoje a melhor equipa do Mundo que eu vi jogar futebol". 
Josef Fabian, já cidadão português, agora com 73 anos de idade, radicado desde há muito no nosso país e a residir nas Fontainhas (Cascais), desde que regressou de Moçambique, o único dos jogadores do plantel do prestigioso Torino e que acabou por escapar à tragédia de Superga, quando, a 4 de Maio de 1949, o avião Fiat G 212, que "voava" desde Lisboa, chocou com a colina de Superga, a escassa distância de Turim, tendo falecido todos os seus passageiros, desde os elementos da equipa transalpina, tais como jogadores, técnicos e dirigentes, até aos jornalistas que haviam viajada até à capital portuguesa para a cobertura do jogo Benfica-Torino, de homenagem a "Chico" Ferreira, o capitão dos encarnados e da selecção nacional.

Mesmo meio século depois de tão trágico acidente, Josef Fabian não consegue esconder, nem sequer disfarçar, uma natural emoção, dizendo-nos: 

-- Sabe, fui o único a escapar à morte, só porque não tinha passaporte. Como tinha deixado a Hungria para fugir de uma certa situação política, a minha documentação não estava em ordem, e não me deixaram partir para Lisboa para participar no jogo de homenagem a Francisco Ferreira. Na altura em que decidiram que eu ficaria em Turim, naturalmente que fiquei muito triste, mas, depois do que aconteceu, considerei-me um homem bafejado pela maior sorte deste Mundo. 

ITÁLIA DE LUTO

Nascido na Transilvânia, na altura território romeno, Josef Fabian viria, contudo, a dar os primeiros passos como jogador de futebol no Szegeb, clube da cidade do mesmo nome que dista cerca de uma centena de quilómetros de Budapeste. No entanto, o seu primeiro título de campeão viria a acontecer com a camisola de um clube romeno, o Carmem Bucareste, tal como o refere:

-- Isso aconteceu em 1941, sagrando-me campeão da Roménia em representação do Carmem Bucareste, enquanto, no ano seguinte, novamente a jogar pelo Szegeb, alinhei por essa equipa que venci o campeonato da Hungria. No entanto, a situação na Hungria não estava nada bem, com os problemas da guerra a avolumarem as nossas dificuldades, ao mesmo tempo que a implantação de certas ditaduras obrigava muitos milhares de húngaros a tentarem a sua sorte noutros países, não hesitando em atravessar a sua fronteira em busca de uma vida melhor. 

Foi o que terá acontecido consigo?

-- O director técnico do Torino era um húngaro, de seu nome Ernest Erbstein, que, mais tarde, seria o padrinho da minha filha e não hesitei em contactá-lo, tentando o meu ingresso naquela famosa equipa italiana, na altura a dominar por completo o futebol do seu país, servindo de base à selecção italiana, onde praticamente alinhavam todos os seus jogadores, pois apenas um, o Caraplese, não actuava no Torino. 

Conseguiu, portanto, um lugar na famosa equipa de Turim.

-- O que não foi nada fácil, dada a categoria dos jogadores da equipa capitaneada por Valentino Mazzola. Recordo-me até que, antes da equipa do Torino viajar para Lisboa, para colaborar na festa de Francisco Ferreira, jogámos com o Milan, a 1 de Maio, com a vitória a pertencer-nos, por 2-1, tendo eu marcado um dos golos, nunca imaginando que aquela seria a última vez que estaria ao lado de tão excelentes companheiros e de jogadores de grande nível.

A tal não existência de passaporte acabaria, depois, praticamente, por lhe salvar a vida?

-- Exacto. Eu era o único estrangeiro a jogar naquela equipa e, como disse, praticamente havia fugido da Hungria, ao encontro de uma vida melhor. Não tinha os papéis em ordem e não me deixaram sair de Turim. Dias depois, já em pleno aeroporto, preparava-me para lhe dar um abraço de boas-vindas, quando, uns trinta minutos antes da hora prevista para a chegada, soube do trágico acidente ainda hoje não totalmente explicado. Isto porque do Aeroporto de Turim terão chegado a ordenar ao piloto que, devido ao intenso nevoeiro, deveria tentar aterrar em Roma, ou em Milão, mas, devido à insistência dos jogadores, este terá tentado fazê-lo em Turim, infelizmente, com o desfecho que se conhece.

Poder-se-á mesmo dizer que toda a Itália, a do futebol e a outra, ficou mesmo de luto, após esse desastre de Superga?

-- Ainda hoje tenho bem presente na memória não só o choro e os lamentos de todos aqueles milhares de pessoas - houve até quem chegasse a falar num milhão - que se incorporaram nos funerais, como as mais variadas manifestações de solidariedade que chegavam de todo o Mundo. Sandro Mazzola, o filho do capitão Valentino, na altura com sete anos de idade, foi até levado para fora de Turim, para não estar em contacto directo com toda aquela tragédia.
Para Josef Fabian "depois disso, o Torino nunca mais foi o mesmo e até eu próprio não me sentia em condições psicológicas para continuar a envergar a camisola do clube, pois recordava-me constantemente dos companheiros tão tragicamente desaparecidos do número dos vivos. Em Itália, ainda jogaria pelo Luchese e pelo Bari, mas, depois, tentei a minha sorte noutros países, mesmo sem nunca esquecer que a minha filha nasceu em Turim."

GLOBETROTTER DO FUTEBOL

Depois de Itália, França foi a etapa que se seguiu, na carreira futebolista de Josef Fabian, que, aí, alinhou no Cannes, passando a seguir para Espanha, estando prestes a vincular-se ao Atlético de Madrid, tal como conta:

-- No entanto, havia o problema dos estrangeiros e a Federação Espanhola não me autorizou a jogar no clube de Madrid. 
Foi nessa altura que um dirigente do Sporting, Júlio Oliveira Martins, me viu treinar, convidando-me a ingressar no clube português, o mesmo acontecendo com Janos Hrotko, na altura a jogar no Saragoça.

Um convite que finalmente correspondeu à sua presença em Lisboa, anos depois de se ter malogrado a viagem à nossa capital, com a equipa do Torino. 

-- Na verdade, assinei pelo Sporting e fiz a minha estreia na festa de homenagem a Veríssimo. Nos leões, ainda fui campeão nacional, integrando excelentes equipas do clube, com Joseph Szabo e Tavares da Silva como responsáveis, tendo vivido em Alvalade dos melhores momentos da minha  vida. Hoje, ainda recordo, por exemplo, o jogo onde o Sporting ofereceu o título de campeão ao Benfica, indo empatar, nas Salésias, com o Belenenses que já se preparava para fazer a festa, quando o Martins marcou o golo do empate ao José Pereira.

Depois do Sporting, Josef Fabian viu o seu nome ligado aos mais diversos clubes e nos variados escalões do futebol português?

-- Primeiro, foi o Barreirense, onde estive como treinador-jogador, com o clube do Barreiro a ficar em 6.º lugar no Nacional da I Divisão, tendo colaborado no lançamento do então jovem José Augusto. Curiosamente, nesse ano, obtive nove golos na marcação de cantos directos.
A seguir, fui para o Serpa, na altura em que a equipa alentejana contava com dois excelentes avançados, o Patalino e o Teixeira da Silva, acabando por vencer o Nacional da III Divisão. 
Ao Serpa, seguir-se-ia o Sporting da Covilhã, com Tavares da Silva como director-técnico, e Fabian na dupla condição de treinador-jogador.
 "Nessa época, o Covilhã tinha excelentes elementos, desde o Cabrita, Lourenço, Cavém, Tonho e o argentino Óscar Silva. Derrotámos o Vitória de Guimarães, treinado por Fernando Vaz, e subimos à I Divisão", recorda Josef Fabian que acrescenta: "No Caldas, não consegui evitar a descida, mas, no ano seguinte, estive à frente de uma excelente equipa do Lusitano de Évora que ficou em 7.º lugar no Nacional da I Divisão. Aí jogavam o Vital, José Pedro, Carraça, Falé e Paixão, entre outros."
Olhanense, Farense e novamente o Barreirense antecederam o ingresso de Fabian no futebol moçambicano. "Fui treinar o Texáfrica e de 1967 a 1970, a minha equipa foi sempre a campeã de Moçambique. Depois disso, estive no Chaves e no Silves, tendo regressado ao clube de Vila Pery, que voltou a vencer o campeonato moçambicano. Aí estive mais três anos, até voltar a fazer as malas e, já na condição de retornado, regressar ao Sporting da Covilhã, como treinador, sendo o meu filho jogador do clube." Mas, já com a saúde algo abalada, Josef Fabian teve de renunciar um pouco ao seu desejo (e necessidade) de treinar certos clubes, acabando, no entanto, "por dar uma ajuda ao Tires, que se manteve na III Divisão, levar os juniores do Estoril ao Nacional da I Divisão, tal como tentei que o Imortal subisse de escalão. No entanto, tive de encostar às boxes, pois já não me sentia nada bem, nem em termos físicos, nem em tudo o resto, pois, ao deixar Moçambique, tive de abandonar tudo o que havia conseguido na vida, quer em dinheiro, quer do meu património. Restava-me, apenas, a condição de ser já um cidadão português, o que me permitiu abrir algumas portas. Infelizmente não muitas, pois as dificuldades têm-se acentuado."